A frase é clássica e sugestiva: “O mundo que nós vamos deixar para os nossos filhos depende muito dos filhos que nós deixarmos para este mundo.
”Verdade? Sem dúvida; você sabe, eu sei. Desde que o mundo é mundo...
E daí? E eu com isso? E você com isso? Tudo. Talvez sejamos a primeira geração de adultos que esteja criando um fosso na convivência mais contínua com a geração que nos sucede.
Razões? Dia corrido, competitividade, deslocamentos entre grandes distâncias, jornada de trabalho expandida; tudo isso associado à pressão do sucesso, da disputa, do lugar, da vaga, da vida.
Com isso, justificamos a nossa ausência, ou, vez ou outra, a nossa omissão, no que diz respeito ao cotidiano dos filhos e filhas; quase não há encontro e, quando o há, devido à falta de convívio intenso, despontam conflitos concentrados.
Tão perto, tão longe...
Ainda bem, poderíamos pensar, que ainda há a escola. Lá cuida-se da educação cívica, da educação científica, da educação sexual, da educação artística, da educação filosófica, da educação ecológica, da educação para o trânsito, da educação física, da educação ética e da educação alimentar. E tudo em grandes agrupamentos de pessoas, em espaço limitado e por algumas horas diárias..
Não dá. A escola sem parceria com a família não consegue eficácia e eficiência; construir sólida base teórica, com formação de cidadania e solidariedade social, exige um esforço mais profundo
e agregador.
Por isso, é preciso reservar tempo para partilhar as práticas educativas e formativas.
Tempo? Lamento, não tenho.
É? Já viu alguém que tenha sofrido um infarto não ter tempo, quando sobrevive? Antes de infartar, não tinha tempo algum para cuidar-se; agora, todos os dias, às 05h00 da manhã, caminha na esteira ou pelas praças, de modo a postergar o fim.
Quando o importante fica sufocado pelo urgente, o tempo para consertar tal distúrbio é muito maior do que o que se usaria antes dele existir...
Mario Sergio Cortella
Filósofo, com mestrado e doutorado em Educação, professor-titular do departamento de Teologia e Ciências da Religião e da pós-graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica - PUC-SP; docente- convidado da Fundação Dom Cabral e do Gvpec/FGV-SP; autor de “A escola e o conhecimento” (Editora Cortez), “Não espere pelo epitáfio...” (Editora Vozes), “Não nascemos prontos!” (Editora Vozes) e “Qual é a tua obra: Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética” (Editora Vozes).
”Verdade? Sem dúvida; você sabe, eu sei. Desde que o mundo é mundo...
E daí? E eu com isso? E você com isso? Tudo. Talvez sejamos a primeira geração de adultos que esteja criando um fosso na convivência mais contínua com a geração que nos sucede.
Razões? Dia corrido, competitividade, deslocamentos entre grandes distâncias, jornada de trabalho expandida; tudo isso associado à pressão do sucesso, da disputa, do lugar, da vaga, da vida.
Com isso, justificamos a nossa ausência, ou, vez ou outra, a nossa omissão, no que diz respeito ao cotidiano dos filhos e filhas; quase não há encontro e, quando o há, devido à falta de convívio intenso, despontam conflitos concentrados.
Tão perto, tão longe...
Ainda bem, poderíamos pensar, que ainda há a escola. Lá cuida-se da educação cívica, da educação científica, da educação sexual, da educação artística, da educação filosófica, da educação ecológica, da educação para o trânsito, da educação física, da educação ética e da educação alimentar. E tudo em grandes agrupamentos de pessoas, em espaço limitado e por algumas horas diárias..
Não dá. A escola sem parceria com a família não consegue eficácia e eficiência; construir sólida base teórica, com formação de cidadania e solidariedade social, exige um esforço mais profundo
e agregador.
Por isso, é preciso reservar tempo para partilhar as práticas educativas e formativas.
Tempo? Lamento, não tenho.
É? Já viu alguém que tenha sofrido um infarto não ter tempo, quando sobrevive? Antes de infartar, não tinha tempo algum para cuidar-se; agora, todos os dias, às 05h00 da manhã, caminha na esteira ou pelas praças, de modo a postergar o fim.
Quando o importante fica sufocado pelo urgente, o tempo para consertar tal distúrbio é muito maior do que o que se usaria antes dele existir...
Mario Sergio Cortella
Filósofo, com mestrado e doutorado em Educação, professor-titular do departamento de Teologia e Ciências da Religião e da pós-graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica - PUC-SP; docente- convidado da Fundação Dom Cabral e do Gvpec/FGV-SP; autor de “A escola e o conhecimento” (Editora Cortez), “Não espere pelo epitáfio...” (Editora Vozes), “Não nascemos prontos!” (Editora Vozes) e “Qual é a tua obra: Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética” (Editora Vozes).